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sexta-feira, 26 de março de 2010

Saravá Seu Zé


Antes de começar a discorrer sobre o que se conhece desse malandro incorrigível, mulherengo, birrento, arruaceiro, mas de um coração enorme, é preciso que se entenda que toda entidade, tem uma história, uma cultura, pois foi tão humano quanto nós quando encarnada. Após o desencarne e a conseqüente espiritualização, poderá ocorrer que sua manifestação venha a se dar em outros centros regionais diferentes do que consta em sua biografia humana e assim, quando manifestada, poderá demonstrar outras culturas que não as de sua procedência humana. Isso quer dizer que a mesma entidade poderá manifestar-se diferentemente em lugares diferentes, sem que isso implique em mistificação. Tal fato acontece porque, pela necessidade do ingresso nas falanges espirituais, afim de prestar seu trabalho nesta nova roupagem, os espíritos, agora desencarnados, aproximam-se desta ou daquela falange, por simpatia ou determinação superior, mas guardam características bastante marcantes de suas existências materiais. Melhor entendendo:
Zé Pelintra, tem como característica principal, a malandragem, o amor pela noite. Tem uma grande atração pelas mulheres, principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, além de outras características que marcam a figura do malandro. Isso quer dizer que em vários lugares, de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró; No Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro. Isso bem explicado, vamos conhecer mais de perto esse grande camarada.
Conheçam essa maravilhosa entidade: " SEU ZÉ "
José Gomes da Silva, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os policiais já sabiam do perigo que ele representava. Dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam.
Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bom, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas.
Sua vida era a noite, sua alegria as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas. Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, a estes sempre dispensava, mandava-os embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles. Mas ao contrário, aos falsos espertos, aos que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava verdadeiros otários. Incentivava-os ao jogo, perdendo de propósito incialmente, quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas. Isso bebendo Aguardente, Cerveja, Vermouth, e outros alcoólicos que aparecessem.
Esta entidade anda pelo mundo todo, suas manifestações apresentam-se em todos os cantos da terra. A pouco teve-se notícia pelos diários, de uma médium que o incorporava nos Estados Unidos .
No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam, vestem-se a caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que a seda, a navalha não corta. Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto. São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá.
Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como podem proteger e abrir caminhos. Têm sempre grandes amigos entre os que os vão visitar em suas sessões ou festas.
Existem também as manifestações femininas da malandragem: Maria Navalha é um bom exemplo. Manifestam-se como características semelhantes aos malandros, dançam, sambam, bebem e fumam da mesma maneira. Apesar do aspecto rude, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores, principalmente as rosas vermelhas e vestem-se sempre muito bem.
Ainda que tratado muitas vezes como Exu, Zé Pelintra não é Exu. Essa idéia existe porque quando não são homenageados em festas ou sessões particulares, manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e se parecem com eles. Há um ponto inclusive que lembra muito essa amizade entre Exus e Zé Pelintras.

Tranca Ruas e Zé Pelintra
São dois grandes companheiros,
Tranca Ruas na Encruza,
E Zé Pelintra no Terreiro.

No Nordeste do Pais, mas precisamente em Recife, ainda que nas vestes de um malandrão, a figura de Zé Pelintra, tem uma conotação completamente diferente. Lá, ele é doutor, é curador. É Mestre e é muito respeitado. Em poucas reuniões não aparece seu Zé.

Lá vem Zé, lá vem Zé,
Lá vem Zé, lá da Jurema.
Lá vem Zé, Lá vem Zé,
Lá vem Zé do Juremá.


A Jurema aqui cantada, é o local sagrado onde vivem os Mestres do Catimbó, religião forte do Nordeste, muito aproximada da Umbanda, mas que mantém suas características bem independentes. Na Jurema, Seu Zé, não tem a menor conotação de Exu, a não ser quando a reunião é de esquerda, por que o Mestre tem essa capacidade, tanto pode vir na direita quanto na esquerda. Quando vem na esquerda, não é que venha para praticar o mal, é justamente o contrário, vem revestido desse tipo de energia para poder cortá-la com mais propriedade e assim ajudar mais facilmente aos que vem lhe rogar ajuda.
No Catimbó, Seu Zé usa bengala, que pode ser qualquer cajado, fuma cachimbo e bebe cachaça. Dança Côco, Baião e Xaxado, sorri para as mulheres, abençoa a todos, que de maneira carinhosa e respeitosa o abraçam, chamando-o de " Meu Padrinho ".
Assim é nossa querida Umbanda, seus guias e entidades podem se manifestar em qualquer cultura mantendo sua individualidade. Dão chance dessa maneira, de que qualquer um, em qualquer lugar que esteja, possa ter a oportunidade de conhecê-los e usufruir de seus poderes e força espiritual.
Ah! Seu Zé, que felicidade tenho em conhecê-lo, quanto já me ensinaste, quanto já me ajudaste! Sua força reside na amizade que dissemina, na camaradagem que lhe é peculiar, na força espiritual que possui! Possa permitir Deus, meu amigo, que possas sempre estar fortalecido no trabalho da caridade e que cada vez mais, sua evolução espiritual ascenda, e assim sendo, auxilie cada vez mais a todos que lhe procuram!
Tem gente que me chama de amigo,
Mas não possui no coração a lealdade,
Se pensam que me enganam eu não me iludo,
Sem lealdade não existe amizade, é só falsidade!
Alguns pontos demonstram essa ligação de Seu Zé com a malandragem, a noite e as mulheres:

De madrugada quando vou descendo o morro,
A nega pensa que eu vou trabalhar.
Eu boto meu baralho no bolso,
Meu cachecol no pescoço.
E vou pra Barão de Mauá!
Mas trabalhar, trabalhar pra quê?
Se eu trabalhar eu vou morrer.
De dia numa linda batucada
De noite nos braços da amada.
Qual é que é, Seu Zé. Qual é que é?
Eu sei que seu caso é mulher.
Lá no morro é, que é lugar de tirar onda.
Tomando Brahma de meia, jogando baralho e ronda.


Pode-se notar o apelo popular e a simplicidade das palavras e dos termos com os quais são compostos os pontos e cantigas dessa entidade. Assim é ele, simples, amigo, leal, verdadeiro. Se você pensa que pode enganá-lo, ele o desmascara sem a menor cerimônia na frente de todos. Apesar da figura do malandro, do jogador, do arruaceiro, detesta que façam mal ou enganem aos mais fracos. Sempre que estiver no aperto, grite por Seu Zé, ele com certeza estará bem próximo para lhe ajudar.

Salve a Malandragem!

Fonte: http://www.aucar.com.br/ze.html

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Engabelo completo

Foto final da arriada para os príncipes e princesas. Em breve, postaremos a firmeza das crianças. Não deixem de acompanhar o blog.

Axé para todos!

Concentração para firmar o axé...

Depois da arriada é preciso firmar o trabalho, concentrar e manipular a energia. Umbanda tem fundamento!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Firmeza de ogã

Quem tudo olha!
Quase sempre nada enxerga!
Quem não se quebra!
Logo logo se enverga!
A favor dos ventos!
Eu sempre arranjo um jeito!
De correr para o meu cruzeiro!
Pra ver os meus companheiros!
Para o meu povo!
Eu não preciso me apresentar!
Pois todos me conhecem!
Quando eu chego lá!
Sou o exu tiriri!
Na linha de lebá!
Até o inferno treme!
Quando me vê chegar!

Começa a arriada...


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mesa posta...


Depois de firmado o chefe da casa, partimos para a arrida dos demais exús do Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum. A mesa para os príncipes e princesas foi colocada em frente ao axé do Seu Tranca Ruas das Almas.


Salve todos os príncipes e princesas.

Salve o dono da casa...

As oferendas começaram com a firmeza de Seu Tranca Ruas das Almas, o exú guardião da casa. Todos os filhos do terreiro firmaram com ele e pediram licença pra as próprias oferendas.
Laroye Seu Tranca Ruas das Almas

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A comida...


Farinha, azeite de dende, pimenta e cebola. Quem nunca fez um padê para exú? No dia da firmeza do Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum o resultados foram essas comidas.

Claro que não faltou vela, marafos, flores e pito. Nessa foto, ainda nos preparavamos para começar a arriada. Em seguida, posto as fotos do começo da firmeza para o Seu Tranca Ruas das Almas e da montagem da mesa no chão.

Axé para todos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Assim nasce um axé...


O começo do mês de setembro foi marcado pela entrega para os exús e pombagiras. Como não tivemos oportunidade de realizar a firmeza no dia correto, recebemos a orientação de fazer no dia 12 de setembro.

Acordamos cedo e partimos para o alto do corumbá, local em que presenteamos nossos queridos guardiões. Comida de santo, firmeza e respeito. Assim vai nascendo um axé. Nesta foto, nosso ogã Caio chega para a entrega do pade na tronqueira.

Vou postando as fotos ao longo da semana. Axé para todos!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Homenagem ao Zé Pelintra


Tenho saudades do Seu Zé

Da baixa do sapateiro

Da Lagoa Abaeté

Do tempo do boiadeiro...


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Seo Doutor, Seo Doutor...


Pessoal,


Gostaria de agradecer a dedicação e presença de todos na festa do último sábado (8), em homenagem a nosso querido amigo Zé Pelintra. Apesar de todas as dificuldades, a energia foi muito boa.


Em breve, postarei as fotos da mesa. É muito bom acompanhar o crescimento do Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum e, também, do amor, da dedicação, da confiança e da fé de cada um de vocês para com a Casa. Espero que a gente consiga erguer o muro e o local de trabalho o mais rápido possível.


Preparem-se. Mês que vem, teremos a festa dos exús e das crianças.
Saravá Seu Zé Pelintra, Saravá Seu Zé Malandro, Saravá todos os malandros! Muita energia para a nossa caminhada, meus camaradas!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Que saudades do Seu Zé!



Exú? Malandro? Egum?

Muito se fala e pouco se entende a respeito do trabalho Seu Doutor Zé Pelintra na umbanda. Certa vez, questionado se era exú, malandro ou egum, Seu Zé apenas respondeu: "sou mais um Zé a serviço da lei divina".

No fundo é isso. Essa necessidade de nós humanos em categorizar tudo e todos acabam por criar preconceitos e resistências. Que importa a falange para qual se trabalha? No fundo, Seu Zé é mais um espirito de luz, seguidor da lei divina.

Espero pela força e axé de todos na nossa homenagem a Zé Pelintra no próximo sábado (08).

Saravá Seu Zé Pelintra!


Oração a Zé Pelintra

Salve Deus Pai criador de todo o Universo.
Salve Oxalá Força Divina do Amor, exemplo vivo de abnegação e carinho.
Bendito seja o Senhor do Bonfim.
Salve Zé Pelintra, mensageiro de Luz, guia e protetor de todos aqueles que em nome de Jesus Cristo, praticam a caridade.
Dai-nos Zé Pelintra, o sentimento suave que se chama misericórdia,
Dai-nos o bom conselho,
Dai-nos apoio, instrução espiritual que necessitamos,
Para dar aos nossos inimigos,
O amor e a misericórdia, que lhe devemos pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Para que todos os homens sejam felizes na terra, e possam viver sem amarguras, sem lágrimas e sem ódios.
Tomai-nos Zé Pelintra sob vossa proteção,
Desviai-nos dos espíritos atrasados e obsessores,
Enviados por nossos inimigos encarnados e desencarnados e pelo poder das trevas.
Iluminai nosso espírito, nossa alma, nossa inteligência e nosso coração abrazando-nos na chama do vosso amor por nosso Pai Oxalá.
Valei-nos Zé Pelintra nesta necessidade,
Concede-nos a graça do vosso auxílio junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo,
Em favor deste pedido ( faz-se o pedido ).
E que Deus nosso Senhor em sua infinita misericórdia,
nos cubra de bênçãos e aumente a vossa luz e vossa força,
Para que mais e mais possa espalhar sobre a terra a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo
.