segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Assim nasce um axé...


O começo do mês de setembro foi marcado pela entrega para os exús e pombagiras. Como não tivemos oportunidade de realizar a firmeza no dia correto, recebemos a orientação de fazer no dia 12 de setembro.

Acordamos cedo e partimos para o alto do corumbá, local em que presenteamos nossos queridos guardiões. Comida de santo, firmeza e respeito. Assim vai nascendo um axé. Nesta foto, nosso ogã Caio chega para a entrega do pade na tronqueira.

Vou postando as fotos ao longo da semana. Axé para todos!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum

Como nunca fizemos nenhuma homenagem ao patrono da nossa casa, aqui no blog, segue um singelo ponto cantado para esse maravilhoso orixá que tanto tem nos ajudado no Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum.

Cavaleiro supremo
Mora dentro da lua
Sua bandeira divina
É o manto da Virgem pura

Salve Seu Ogum Beira - Mar

Ogunhê!

Onde as caveiras moram...


Ê Caveira, afirma ponto na folha da bananeira
Quando o galo canta é madruga
Foi Exú na encruzilhada batizado com dendê
Eu rezo uma oração de traz pra frente
Queima o fogo a chama ardente aquece Exú , alaroiê
Eu ouço a gargalhada do diabo
É Caveira o enviado do Príncipe Lucifer
É ele quem comanda o cemitério,
Catacumba tem mistério seu feitiço tem axé
Laroye a força da caveira

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A função do ogã


É responsabilidade do ogã, não só no dia da gira como em qualquer dia de trabalho, olhar pelos demais médiuns, bem como pela integridade e pelo bom funcionamento do terreiro. O ogã, especialmente, tem a responsabilidade de se comportar como um médium exemplar e de orientar os demais médiuns a seguir um comportamento apropriado. O ogã é responsável pela gira e pelo transcorrer do trabalho espiritual da casa. O preparo de um ogã abrange a consciência do trabalho que desempenham e de sua responsabilidade, a consciência da energia que está envolvida no trabalho—é isso que faz um ogã.

Não se faz nenhum trabalho no terreiro, como uma gira ou uma camarinha, sem a presença de um ogã. Isso não significa um privilégio dos ogãs, pois todos os trabalhadores são de igual importância aos olhos dos espíritos. Em um terreiro, ninguém é melhor do que ninguém, pois todos estão trabalhando para crescer, aprender e progredir. Simplesmente, os ogãs são médiuns designados a uma das funções necessárias para o funcionamento da casa e, por isso, as energias que atuam neles difere das energias que atuam nos demais médiuns.

É tradicional que o ogã seja sempre do sexo masculino. Essa tradição é fundamentada no fato de que sua função exige uma estabilidade emocional que é dificultada pela sensibilidade mediúnica e pelos ciclos hormonais característicos do sexo feminino. O ogã aprende e participa de diversas funções na casa, inclusive as que incluem manipulações energéticas ligadas à proteção contra trabalhos de magia.

Nessas situações, um médium do sexo feminino estaria mais propenso a ser afetado emocionalmente do que um médium do sexo masculino, devido à diferença de sensibilidade mediúnica entre os sexos. Assegurar-se que todos os ogãs são do sexo masculino é, assim, uma forma de proteger os médiuns do sexo feminino (as quais são mais aptas que os médiuns do sexo masculino para outras funções dentro da casa, de igual importância).

O ogã anuncia a linha e "puxa" a vibração das entidades na gira, pois o mentor espiritual dos ogãs é o responsável por criar as condições adequadas que atraem as linhas que irão se comunicar. Assim, vê-se a importância dos ogãs saberem os pontos e o que cada ponto significa, a energia que cada ponto traz. A vibração espiritual associada com o médium que está girando está completamente associada com a vibração do canto e da voz dos ogãs. De todos os médiuns, principalmente os ogãs têm a função de concentrar e canalizar as energias durante o trabalho espiritual.

O ogã, assim, precisa aprender não só a cantar com o voz, mas, também, com a alma, com o coração. Como o pai-no-santo precisa, muitas vezes, estar incorporado durante a gira, os ogãs não devem contar com ele para saber que linha e que pontos devem cantar. Com o passar do tempo, o ogã conquista uma grande sintonia com os médiuns e com os guias de cada médium, por estar diretamente conectado com os espíritos e as linhas de trabalho que estão encarregados a trabalhar em cada médium.

Por isso, a preparação mediúnica antes dos trabalhos é particularmente importante para o bom desempenho de suas funções. Devido a essa conecção, os demais médiuns respondem, na ausência do pai-no-santo durante a gira, à forma de trabalho determinada pelos ogãs. Com a incorporação da entidade, é natural que os ogãs saibam intuitivamente, e pela experiência e observação, o tipo entidade (caboclo, exu, preto-velho etc) e a linha (o orixá) para a qual ela trabalha. Essa sintonia entre os ogãs e as entidades, quando apurada, dá força às entidades, aos médiuns e ao trabalho, de forma geral.

O som e as palavras têm uma força normalmente subestimada por nós. Se soubéssemos da repercussão da música e das palavras na mente das pessoas, seríamos muito mais cautelosos e atenciosos no falar e no cantar. Uma palavra, uma vez emitida, não se perde nunca e entra no mundo mental daquele que a ouviu. O som, o canto, o mantra, possui o mesmo valor, daí o dito popular que "quem canta, reza duas vezes". Dependendo da intenção com que o som, ou o mantra, é emitido, ele eleva a vibração do ambiente, se irradia, atrai, despacha, limpa ou fortifica. Por isso, todas as religiões têm seus mantras, seus cântigos, seus pontos.

A energia que atua no ogã é uma energia de força e segurança, pois são nesses sentidos que a mediunidade dele é usada durante a gira. Como exercem a função de segurança e de doação, os ogãs normalmente não incorporam, para que a energia da coroa seja mantida em constante equilíbrio. Da mesma forma, normalmente não são postos para "girar". Quando eles "giram", isso ocorre sem alterar a integridade e o equilíbrio da coroa; ou seja, os ogã "giram" para que a jira sirva as suas funções de harmonização (limpeza) e/ou de canalização de energias, mas não a de desenvolvimento da faculdade mediúnica ostensiva. Como o papel dos ogãs é o de doar energias para outros médiuns, eles recebem automaticamente, nesse processo, as energias benéficas associados com as diferentes funções de uma gira de caboclos. Por isso, é raro que os ogãs tenham necessidade de "girar" e, quando isso acontece, atende necessidades individuais especiais.


É possível que um médium que trabalhe como ogã em um terreiro de Umbanda e também como membro da equipe mediúnica em uma casa espírita apresente sensações distintas em cada casa, não percebendo influências no terreiro de Umbanda mas apresentando grande sensibilidade mediúnica durante o trabalho espírita; isso se deve às diferenças de compromissos e funções em cada tipo de trabalho espiritual.

Fonte: autor desconhecido

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Defuma com as ervas da jurema...


Muitos umbandistas lembram-se do uso ritualistico das ervas em banhos, amacis e abos e esquecem da manipulação delas junto ao fogo. Grande parte das vezes, essa manipulação de energia se dá por meio da defumação. Além de ser fundamental para o trabalho da umbanda, a defumação é um dos rituais que mais chama atenção de quem vai pela primeira vez participar de uma sessão.
Ao queimarmos as ervas, estamos soltando no ar elementos de poder energético aglutinado em meses ou anos absorvido do solo da Terra, da energia dos raios de sol, da lua, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das plantas. Essa energia, externada pela fumaça, é capaz de desagregar larvas astrais de baixa vibração fruto da qualidade de pensamentos e desejos.
Dependendo do objetivo deve-se utilizar diferentes tipos de ervas para a defumação. Existem plantas que associadas permitem harminizar e energizar pessoas e ambientes. Há, também, vegetais cujas auras são agressivas, repulsivas, picantes ou corrosivas, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Assim, podemos dividir a defumação em duas categorias: defumação de descarrego e defumação lustral.
A defumaçã de descarrego serve para afastar seres do baixo astral e dissipar larvas astrais que impregnam um ambiente. Em geral, para esse tipo de defumação, utiliza-se ervas quentes com essencias mais agressivas como, por exemplo: alecrim, arruda, espada de São Jorge, guiné, pó de café e casca de alho
Já a defumação lustral atrai para os ambientes, correntes positivas dos Orixás, Caboclos, e Pretos Velhos e atrai bons fluidos e energia para as pessoas presentes no local. Essa defumaçãoi é feita com ervas de poder calmante e energizantes. Como principais exemplos temos: alfazema, flor de laranjeira, canela, bejoim e verbena.
Para defumar pode-se usar as ervas em sua forma natural, em pó ou em pequenos pedaços moídos, em forma de casca miúda, etc. Para se queimar essas ervas, usa-se normalmente um recipiente chamado turíbulo.
Turíbulos são recipientes de metal ou barro usados para queimar o incenso. Na Umbanda, usam-se nas giras ou sessões públicas, o turíbulo como na figura ao lado. Para queimar as ervas usam-se normalmente o carvão vegetal.
Lembrando sempre que o carvão vegetal deve estar em brasa e nunca em chamas.A quantidade de incenso que queira queimar deve ser proporcional ao tamanho da sala e ao número de pessoas presentes. Para isso somente através da experimentação descobriremos a quantidade certa.
Na casa em que me criei para a umbanda, foi no defumador que conheci grandes companheiros e pessoas para com quem carrego um respeito e afeto imenso. Muito axé para Bruno, Fumaça, Kadim e Jorjão, pessoas que me ensinaram um pouco mais sobre a arte de defumar.
"Corre gira pai ogum, filhos quer se defumar, umbanda tem fundamento é preciso preparar"

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mojubá Exú


Hoje, nós umbandistas comemoramos e homenageamos o povo da esquerda. Como não vamos fazer festa no Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum, esta data, por falta de estrutura, segue uma homenagem para nossos queridos guardiões.

As entregas para o povo da esquerda continuam marcadas para o dia 12 de setembro e teremos a festa no final do ano. Salve o dono das escruzilhadas. Mojuba Exú!.

Prece de Exú

Sou Exú, Senhor. Pai, permite que assim te chame, pois, na realidade, Tu o és, como és meu criador. Formaste-me da poeira ástrica, mas como tudo que provém de Ti, sou real e eterno.
Permite Senhor, que eu possa servir-Te nas mais humildes e desprezíveis tarefas criadas pelos teus humanos filhos. Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu desprezo por mim; no entanto, nem suspeitam que nada mais sou do que o reflexo deles mesmos. Não reclamo, não me queixo porque esta é a Tua Vontade.
Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da terra e trafegar pelas sendas tortuosas da provação.Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar o seu semelhante. Sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido pela covardia e maldade humanas sem contudo poder negar-me ou recorrer.
Pelo pensamento dos inconscientes, sou arrastado à exercer a descrença, a confusão e a ignomínia, pois esta é a condição que Tu me impuseste. Não reclamo, Senhor, mas fico triste por ver os teus filhos que criaste à Tua imagem e semelhança, serem envolvidos pelo turbilhão de iniqüidades que eles mesmos criam e, eu, por Tua lei inflexível, delas tenho que participar. No entanto, Senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sinto grande e feliz quando encontro nalgum coração, um oásis de amor e sou solicitado a ajudar na prestação de uma caridade.
Aceito , sem queixumes, Senhor, a lei que, na Tua infinita sabedoria e justiça, me impuseste, a de executor das consciências, mas lamento e sofro mais porque os homens até hoje, não conseguiram compreender-me.
Peço-Te, Oh, Pai infinito que lhes perdoe.Peço-Te, não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha provação, mas por eles, os teus humanos filhos.
Perdoa-os, e torna-os bons, porque somente através da bondade do seu coração, poderei sentir a vibração do Teu amor e a graça do Teu perdão.

Prece de Pombagira

Senhora poderosa das encruzilhadas, dama de todos os caminhos, patrona das ruas e da rosa vermelha. Moça bonita,que sua beleza seja a beleza dos nossos caminhos e que a sua força seja a força que aniquila a força dos nossos inimigos ocultos e declarados.
Pombogira, que o seu encanto seja o encanto dos meus desejos realizadoseu te saúdo com toda fé.

Laroyê pomba-gira!

Laroyê moça bonita!

Laroyê rosa vermelha da umbanda!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mistificação


Pessoal, hoje resolvi tocar em um ponto muitas vezes esquecido por nós umbandista: a mistificação. Podemos dizer que a mistificação é caracterizada pela fraude consciente do médium e a simulação premeditada do fenômeno mediúnico, com intenção de enganar os outros.

Médium mistificador, portanto, é aquele que FINGE, premeditada e conscientemente, estar em transe mediúnico, recebendo comunicação de espíritos desencarnados, quando, na verdade, está apenas inventando a mensagem para impressionar ou agradar as pessoas que estão à sua volta.

Desnecessário dizer o quão perigosa pode ser essa prática. Um médium correto com os princípios umbandistas não pode deixar que interesses e opiniões particulares passem a frente a orientação da espiritualidade. Julgo que esse processo, muitas vezes, parte da covardia de certos médiuns em darem recados ou falarem determinadas coisas. Muito mais fácil é recorrer à figura da mensagem mediúnica. Afinal, ordem do guia não deve ser discutida.

Também é importante diferenciar a mistificação do animismo. A atuação anímica do médium, por sua vez, acontece de forma quase sempre inconsciente, de modo que o próprio médium dificilmente consegue perceber a sua própria interferência ou participação no fenômeno que manifesta, não conseguindo separar o que é seu do que é criação mental do comunicante, mesmo quando o fenômeno, em si, é consciente.

O animismo não é, portanto, defeito mediúnico e nem deve ser tratado como distúrbio ou desequilíbrio da mediunidade ou do médium. Na verdade, como parte dos fenômenos psíquicos humanos, deve ser considerado, também, parte do fenômeno mediúnico.

Por isso, irmãos, devemos sempre estar atentos a essa linha que divide o animismo da mistificação. Para, no futuro, não padecermos de nenhum tipo de desequilíbrio que poderá resultar na nossa própria queda mediúnica.

Dirigentes de terreiros, não tenham medo de expor e ordenar aquilo que julgam ser o correto para o andamento dos trabalhos da Casa. Se a espiritualidade lhes incumbiu dessa missão de dirigente, é porque vocês têm a sabedoria necessária para decidir, dentro da lei, o que deve ou não ser feito. Quando estivermos decidindo pelo caminho errado, a espiritualidade também será responsável por apontar nossos desvios. Não utilizemos da mistificação para dar ordens que não tenham coragem de assumir.